As habilidades do trabalhador do futuro

Trabalho 20 jan 2020

Nos próximos 10 anos, o avanço da inteligência artificial e da robotização nas empresas vai modificar profundamente o mercado de trabalho. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, a relação entre o trabalho humano e aquele feito por máquinas e algoritmos, que hoje é de 71% para 29%, se inverterá para 58% e 42% até 2025. Outro estudo do Fórum mostra que o rápido avanço da tecnologia pode eliminar cerca de 75 milhões de vagas em todo o mundo até 2022.

Novas atividades e demandas vão surgir – seja para produzir as máquinas e algorítmos seja para necessidades novas de bens e serviços – que podem compensar, parcial ou totalmente, estas vagas destruídas, mas serão outras completamente diferentes.

Diante desse cenário, surge a pergunta: quais as habilidades que o trabalhador vai precisar no futuro para se inserir no novo mercado de trabalho com novas e diferentes exigências?

Antes da resposta, é preciso entender que as habilidades socioemocionais serão as mais exigidas nos próximos anos. Não só para se adaptar às mudanças constantes causadas pela tecnologia como também para uma atuação direcionada ao ser humano, já que a tecnologia fará o trabalho pesado e repetitivo. Sendo assim, o trabalhador do futuro estará liberado do trabalho físico, mas terá que desenvolver a capacidade de pensar, refletir e lidar com problemas complexos.

Então, para não perder trabalho para as máquinas, o trabalhador deve desenvolver cada vez mais as habilidades que somente os humanos possuem. O estudo “As Habilidades do Trabalhador do Futuro”, feito pela consultoria Cartello, identificou as mais importantes:

Proatividade – Em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, a proatividade será uma das principais habilidades exigidas do trabalhador do futuro. Agir para prever situações antes que elas aconteçam e ter iniciativa para propor e liderar mudanças são características essenciais de um trabalhador proativo.

Autodidatismo – A educação tradicional não tem acompanhado a velocidade das mudanças tecnológicas. Por isso, o autodidata é aquele que complementa a sua formação com outras fontes de conhecimento. É aquele que observa as necessidades no trabalho e busca as próprias respostas. O conhecimento será o fator decisivo neste mercado de  trabalho em detrimento do diploma, que já está perdendo e tende a perder cada vez mais relevância e reconhecimento.

Criatividade – Em um cenário de avanço das máquinas, ser criativo é outra qualidade que somente os humanos possuem. Observar, questionar, inventar, criar e desenvolver. Normalmente, trabalhadores proativos e autodidatas tendem a ser criativos na proposição de novas formas de pensar e na solução de problemas.

Resiliência – A capacidade de lidar com problemas e não desistir diante das primeiras dificuldades e a habilidade para se reciclar serão os pilares emocionais centrais do trabalhador do futuro. Até porque não adianta ser proativo, autodidata e criativo se não conseguir lidar com os obstáculos do caminho. Mas é preciso também saber o limite da resistência para evitar danos emocionais.

Responsividade – Em paralelo à resiliência, é preciso também ter a capacidade de responder de maneira adequada às novas situações. Como a mudança será uma constante daqui por diante por causa do rápido avanço tecnológico, o trabalhador precisa desenvolver a habilidade de se ajustar rapidamente às novas exigências do mercado.

Comprometimento –  É quando há uma conexão de valores entre o trabalhador e o trabalho que ele faz. O comprometimento é visível nas situações em que o resultado do trabalho transcende o campo prático, como a remuneração, e alcança a satisfação pessoal, criando uma motivação para a realização da atividade. Então, é preciso associar o trabalho aos interesses e inclinações pessoais para criar o comprometimento e evoluir profissionalmente.

Administração do tempo – Uma das principais características do mercado de trabalho do futuro é não ter apenas uma atividade, nem mesmo uma só profissão. Em virtude da redução de oportunidades de trabalho causada pelo avanço da tecnologia, será necessário desenvolver atividades paralelas. Nesse sentido, saber administrar o tempo se torna uma das habilidades essenciais para dar conta desse novo modelo, conhecido como Gig Economy,  e não perder o nível de comprometimento com o trabalho.

Trabalho em equipe –  Essa será uma das mais importantes habilidades para o trabalhador nos próximos anos. Com os robôs e algoritmos reduzindo as oportunidades de trabalho de baixa qualificação nos próximos anos, a tendência é que os seres humanos sejam mais necessários para resolver problemas complexos, que envolvem a própria tecnologia e requerem a atuação em equipes multidisciplinares. Para isso, o trabalhador precisará desenvolver tolerância diante de opiniões diferentes e abertura intelectual para a controvérsia, assim como capacidade de escutar e negociar. Além disso, é preciso ter temperança para manter o controle emocional das atitudes e não se afastar da razão, bem como para saber encontrar o equilíbrio adequado entre o momento de liderar e ser liderado na equipe. E oratória para saber expor e defender, de forma estruturada e aprofundada, para os integrantes da equipe a sua contribuição técnica na análise e solução dos problemas.

Empatia – Apesar de ser exigida também no trabalho em equipe, a empatia tem uma dimensão mais abrangente. Como o cenário mais provável aponta no sentido de que as máquinas e os algoritmos farão a maior parte do trabalho repetitivo e os humanos se dedicarão cada vez mais às atividades de cuidar dos seres humanos, é preciso desenvolver a capacidade de se colocar no lugar do outro. Como diz o poeta francês Francis Ponge “o futuro do ser humano é o ser humano”.

Embora seja difícil reunir todas essas qualidades, cabe a cada um empenhar todas as suas energias na busca destas habilidades, otimizando os seus próprios talentos e procurando avançar naquelas que tiver mais dificuldades.