Em 2020, conecte-se com o que importa

Saúde 27 fev 2020

Na passagem de 2018 para 2019, escrevi o artigo “A ansiedade, a depressão e os quânticos”, que abordava a questão do FOMO (Fear of Missing Out), o medo de ficar de fora do que está acontecendo na internet, e como isso impacta a saúde mental. No próximos 20 anos, dizia o texto, a ansiedade, a depressão e até o suicídio serão mais frequentes do que o câncer e as doenças cardíacas, de acordo com estudos da Organização Mundial da Saúde.

Assustado com esse prognóstico, resolvi estudar o tema e comecei a praticar a desconexão da internet. Um ano depois, descobri que isso já tem até nome oficial: JOMO (Joy of Missing Out), que significa algo como prazer em ficar de fora. A proposta do JOMO não é simplesmente abandonar as redes sociais, nem a internet. E sim encontrar um ponto de equilíbrio no seu uso. Em vez de ficar rolando a timeline sem objetivo, por exemplo, é se questionar sobre propósito de estar lá. A primeira pergunta é o que estou buscando? Parece simples, mas a resposta é reveladora.

Na mesma direção do JOMO, estão o time well spent, que propõe substituir o clique nos ícones pela digitação do nome para se questionar sobre o uso, o slowmedia que defende o consumo de uma mídia por vez, e o slowfood que prioriza a maior concentração na hora das refeições. O objetivo comum a todos os movimentos é libertar a nossa mente do sequestro de tempo promovido pelas tecnologias. Por isso, algumas atitudes práticas podem ajudar nessa jornada. Veja esses passos básicos e complementares que venho seguindo em 2019 e que deram muito resultado:

1. Selecione melhor o que e quem seguir nas redes sociais. Seja bastante criterioso no começo e deixe apenas o que realmente importa na sua timeline. Retire as notificações dos aplicativos e estabeleça um horário para checar o celular. Um exemplo é limitar das 8 da manhã até às 8 da noite.

2. Crie períodos de desconexão ao longo do dia. Uma boa forma é escolher atividades que não precisam de celular, como ir ao supermercado, fazer um caminhada, praticar esportes, passear com o cachorro, sair com os amigos, entre tantas outras. No início, deixar o celular em casa “dá uma agonia danada”. Mas, depois, se torna libertadora.

3. Escolha uma coisa de cada vez para fazer. Nossos cérebros são limitados. Enquanto estiver cortando laranjas, corte laranjas, como na história do monge novato no monastério. Esteja consciente do que faz em cada momento do dia e só se conecte com o que realmente importa na vida. Como diz o filósofo grego Aristóteles, “nós somos o que repetidamente fazemos”.

Por experiência própria, antes de começar a praticar o JOMO, é bom avisar da sua nova atitude de vida aos companheiros e companheiras, parentes e amigos. Eles ficarão mais tranquilos quando você não responder as mensagens na velocidade de antes e não ficarão magoados por falta de atenção, principalmente aqueles que ainda estão no FOMO. Bom início de 2020 para todos.