O coronavírus está acelerando o futuro

Trabalho 23 abr 2020

Os impactos da epidemia do coronavírus vão nos forçar a fazer novos planos e antecipar planos previstos para os próximos anos.

Não só para se precaver de situações como a que estamos vivendo atualmente – e que podem se repetir com mais freqûencia no futuro – como também porque o mundo pós-pandemia não  mais será o mesmo.

Novas necessidades surgidas em virtude das consequências do coronavírus mudarão, em algum grau, a forma de pensar e agir das pessoas, das empresas e dos governos.

Nessa direção, pensando nas pessoas, duas tendências serão aceleradas nos próximos anos: crescimento do trabalho remoto e busca por uma vida saudável.

O trabalho remoto deve aumentar inicialmente pelo medo da contaminação, cujo risco continuará existindo até o surgimento de uma vacina. E também para atender à demanda de empresas que precisam reduzir custos e minimizar os efeitos da crise econômica causada pela pandemia.

A busca pela saúde também estará em alta entre os novos planos. Os primeiros estudos científicos nos pacientes com coronavírus mostram que aqueles que mantinham a saúde em dia se recuperaram mais rapidamente e sofreram menos com os sintomas.

Ficou evidente que o grande fator de risco não era apenas a idade avançada, como se pensava inicialmente, mas principalmente possuir doenças crônicas, tais como pressão alta, diabetes, obesidade.

Do ponto de vista das empresas, a operação remota e a revisão do seu papel na sociedade, antes com o foco voltado apenas para a geração de mais empregos, serão os principais itens da pauta dos próximos anos.

Home office, sistemas em nuvem e videoconferência devem ter suas implantações aceleradas. As empresas perceberam no “susto” que o trabalho remoto reduz custo e aumenta a produtividade e a satisfação das equipes. Além disso, estará alinhado com a demanda dos trabalhadores em busca de segurança sanitária.

Sobre o papel das empresas, a revisão dos seus valores sociais – incluindo os temas cooperação e solidariedade – e do modelo baseado apenas na produção e no consumo estarão no foco das reuniões daqui pra frente.

Uma das lições que o coronavírus nos deixa é que não basta só doar dinheiro. É preciso se envolver com a comunidade. Não basta apenas crescimento econômico. É preciso progresso humano também.

Olhando para a atuação dos governos, a grande discussão dos próximos anos estará centrada na preparação de sistemas de saúde e de educação mais eficazes para situações adversas, bem como a agilidade e a efetividade de programas de proteção social para reduzir as desigualdades.

A austeridade fiscal, mesmo que necessária, vai ficar em segundo plano por um bom tempo e os investimentos sociais vão liderar a discussão dos orçamentos públicos nos próximos anos.