O medo, a cooperação e o consumo

Consumo 04 jun 2020

Não sabemos ao certo o que vai ocorrer no pós-pandemia, mas já há duas tendências que começam a se desenhar no horizonte da comunicação e precisam ser avaliadas de perto pelas marcas que querem se destacar na retomada da economia.

A primeira delas é o medo. Esse sentimento é o que nos faz ser sensatos e nos preservar. Não só no sentido de evitar a Covid19. Vai muito além disso. O medo é a origem básica da insegurança, da incerteza, da dúvida. E isso vai permear a maior parte das decisões das pessoas no cenário no pós-pandemia em vários setores, sobretudo no consumo.

Desse ponto de vista, as pessoas serão mais comedidas nas compras porque não sabem se o emprego será mantido, se terão recursos para viver nos próximos meses, se o governo vai continuar ou não com o auxílio emergencial, entre outros medos que estarão no inconsciente individual e coletivo dos brasileiros.

Por isso, antes de colocar a equipe de vendas para recuperar o tempo perdido, é necessário pensar em estratégias para minimizar a falta de perspectiva do futuro. A necessidade da compra existe, mas em muitas ocasiões o medo será mais forte, podendo alongar a curva da retomada das vendas.

Nessa direção, é preciso propor e comunicar muito bem, por exemplo, garantias de continuidade do financiamento diante da perda de renda, eliminação ou redução de multas em casos de quebra de contrato, devolução de produtos sem burocracia e custos, entre outras ações para dar segurança ao consumidor.

Mas não basta apenas a mitigação do medo. Aí é onde entra em ação a segunda tendência: a cooperação. Nesse momento crítico, está muito evidente que apenas o governo não vai  conseguir dar conta da pandemia. Todos nós precisaremos contribuir. É onde se percebe claramente o afloramento do sentimento de auxiliar, de colaborar, de ajudar.

Então, as marcas que entenderem esse sentimento e criarem ações de apoio – não somente às consequências sanitárias do vírus, mas principalmente aos impactos socioeconômicos – terão mais engajamento que outras. O consumidor  percebe  com muita clareza e valoriza com muita convicção as marcas que colocam o ser humano à frente dos lucros.

Uma das lições que o coronavírus nos deixa é que não basta só doar dinheiro. É preciso se envolver com a comunidade. Não basta apenas crescimento econômico. É preciso progresso humano também.

Medo e Cooperação. As marcas que compreenderem esses dois sentimentos terão mais resultados na retomada do consumo e também nos próximos anos, pois essas tendências são de médio prazo, pelo menos.